
“Não se conhece uma sociedade enquanto não se estuda os seus cemitérios.” (Michel Vovelle)
Entre as lembranças dos moradores, diversos causos contados e recontados, que constituem o imaginário dos alicerces da história das comunidades. Sobretudo, informações de ordem estrutural, como a alteração do espaço físico, diretamente ligado ao processo migratório e ao êxodo rural do território.
Nesses lugares de memória, foram encontrados resquícios materiais, em volta do que podemos considerar cada sepultura um “monumento ao morto”. Cruzes, epitáfios e estatuária, remetendo o lugar exato onde ocorreu o sepultamento e mais que isso, nomes, datas e lembranças que os vivos querem deixar de seus mortos - fontes materiais que conferem certa imortalidade.
Por isso os cemitérios são considerados “museus a céu aberto. Porque neles podem ser encontradas diversas fontes de pesquisa tais como:
Fonte histórica para preservação da memória familiar e coletiva;
Fonte de estudo das crenças religiosas;
Forma de expressão do gosto artístico;
Forma de expressão da ideologia política;
Forma de preservação do patrimônio histórico;
Fonte indicadora da evolução econômica e dos padrões da população local;
Fonte para conhecer a formação étnica;
Fonte para o estudo da genealogia;
Fonte reveladora da perspectiva de vida;
Fonte reveladora das posições da população local perante a morte.
Nesse sentido, as informações são obtidas através da análise de epitáfios, de fotos tumulares, das simbologias nas obras funerárias e da expressão artística dos monumentos e mausoléus. Por isso, eles preservam a história de uma comunidade e são preciosas fontes, porque é nos cemitérios que as sociedades projetam seus valores, crenças, estruturas econômicas, sociais e ideológicas.
Danúbia Otobelli dan_belly@hotmail.com
Gissely Lovatto Vailatti gissely.lovatto@hotmail.com
Imagem: Capa do livro Benedictus: Arte, história e ideologia dos cemitérios de Flores da Cunha, escrito por Danúbia e Gissely e publicado em 07/11/2009.
Nenhum comentário:
Postar um comentário